Há certo tempo, em minhas convivências virtuais em fóruns, bate-papos da vida, redes sociais e até mesmo no “mundo real” do Menino Estranho, ando acompanhando a um crescente levante de um pensamento “anti-literatura-juvenil-cujo-o-nome-tenha-alguma-ligação-com-uma-fase-da-lua-lobisomens-ou-anjos”. Nada contra (em alguns casos, até certo apoio de minha parte), afinal, só por que uma ou outra obra é um best-seller, não quer dizer que você tenha que gostar, ou mesmo engolir o negócio. Gosto, como diria o poeta, é igual a c..aldo, cada um prefere o seu de um jeito.
No entanto, nesta mesma vibe de ação anti-vampiros-que-brilham, entre outras bandeiras que se levantam por aí, nota-se um claro movimento cheio de calhordiçe, que se aproveita do momento em que xingar determinada obra está na moda, e tenta se promover como intelectual na base de críticas vazias. Estes são os Críticos Charlatões.
Sabe, eu posso não ser o melhor exemplo para se falar do assunto, mas como o blog ainda é MEU e eu faço o que eu quiser aqui (mentira), eu vou meter o bedelho. Vou sim.
Vou falar sobre você querer ser Crítico. Querer Criticar. E sobre ser um idiota.
Antes de mais nada, há de se considerar dois pontos importantes. Um, é relativo a quem você é para dizer alguma coisa sobre alguém ou algo. Ser um especialista para emitir um parecer sobre algo. E sobre isso, posso dizer com absoluta convicção: Papo! A grande maioria dos críticos, comentaristas, blogueiros famosos e etc. NÃO eram especialistas antes de começar a publicar suas opiniões. Muitos, na realidade CONTINUAM NÃO SENDO especialistas. Portanto, ninguém é vedado a dar sua opinião. Claro, isto não quer dizer que um especialista não possa contribuir, escrever ou fazer algo bom. Só quero deixar claro que não existe a obrigatoriedade de você ser formado no assunto com um pós-doutorado na mão para poder escrever o que deseja.
O segundo ponto diz respeito a emitir sua opinião. Muita gente acha que pode falar o que quiser de alguma coisa. Tecer os melhores e mais belos comentários das coisas que gosta, sem o menor senso analítico, e meter o esculacho no que não gosta, dizer que não gosta “por que não”. E para estas pessoas, eu tenho um recado em especial:
Vocês não estão erradas, não!
Mas calma lá, hein?
Todos, críticos, escritores, leitores, temos que entender que tanto uma obra quanto uma opinião, positiva ou negativa, destrutiva ou construtiva, são produtos criados a partir de uma mesma fonte: O ponto de vista. E, encarando desta maneira, qualquer um destes produtos pode ser ignorado de maneira semelhante!
É simples! Assim como você pode não gostar de uma obra infantil que trate sobre um bruxo pré-aborrecente ignóbil, e tratará de ignorar esta obra, alguém pode achar que qualquer comentário seu negativo em relação a mesma obra não é válido, e irá ignorar os seus comentários!
Sim, todos têm direito de ter seu pensamento, e não é realmente necessário que todas as nossas idéias sejam explicadas detalhadamente com tópicos do “por que não gostamos:”. Algumas vezes acontece simplesmente de seu santo não bater com a história, mesmo sendo de um estilo que normalmente lhe agrada. Portanto, sim, você têm direito de dizer aquele clássico “Mas eu acho isto aqui uma boooosta!”.
Mas, poder dizer o que se pensa não lhe dá a liberdade de ofender, prejudicar difamar, estragar, encher o saco de ninguém, ou de qualquer obra. Por que, em qualquer mídia, você pode dizer o que você quiser sobre o que quiser. Mas se quiser ser crítico, seja crítico! Se quiser apenas criticar, critique bem!
Mas, pelo amor de Deus, não seja um idiota!
Explico: Um crítico, a quem interessa vestir a camisa do posto, tem por seu dever criar opiniões embasadas e profissionais. Mais do que dizer apenas “Putz, é foda!” ou “Affe, é uma m***!”, o crítico aponta os pontos positivos (sim, mesmo naquelas obras que você detestou!) e negativos bem explicados em sua opinião. Ele busca fomentar o debate, abrir horizontes, entender por que e como poderia ser melhor, ou os motivos de algo ser bom. Quando você quer ser crítico, você esta tecendo uma opinião que não é apenas para você, e justamente por isso, mesmo quando se é agressivo numa opinião, tem de haver respeito no que for dito. Acha que os livros da lua lá são horríveis? Não importa amigão! Você tem que ser idôneo, não importa com o que!
E, francamente, tem momentos que você está pouco se f****** para a idoneidade, diz aí? Então, que fazer? Apenas critique, ora bolas!
Criticar por criticar é apenas levantar sua opinião. “Eu acho que X coisa é Y”. Pode ser dito e transcrito de várias maneiras, com selvageria ou não. Mas basicamente, é isto. No entanto, repito novamente, seu direito de partilhar suas opiniões não lhe dá passe livre para ofender ou prejudicar ninguém! Acha o X uma bosta? Então, diga: “EU acho X uma bosta!” e fim de papo! O pensamento é seu, e você TEM de ter noção disso, e tem que fazer as pessoas entenderem que você está falando por VOCÊ! Acha fulano gay? “EU acho fulano gay”. Acha beltrana gorda? “EU acho beltrana gorda!”. Se você defende tanto o individualismo do pensamento, tem que começar a vestir a camisa dos seus, e não querer fazer parte dos “números”.
MAS, o oposto TAMBÉM é válido! Fãs xiitas? Nem venha, garoto! Você pode comentar como você acha X ótimo, lindo, maravilhoso, brilhante no sol! Sim, pode dizer “Gostei por que sim!”. Mas, isto não lhe dá o direito de encher o saco de todo mundo com esta idéia, esta “síndrome do headbanger” que faz você quere forçar este seu gosto nos outros! Se calhar de alguém gostar, tem que ser por que ela quis experimentar, e curtiu, e não por que “se você não gostar, não está in”.
Mas, se você não quer ser O Crítico, mostrar de ponto A à Z por que gosta (ou não) de alguma coisa, ou não consegue criticar numa boa, apenas divulgar propriamente seu ponto de vista, o que você está querendo fazer?
Você só quer fazer barulho. Portanto, me desculpe, mas se torna um idiota!
Entenda de uma vez! Você tem seu direito de odiar alguma coisa, e na medida do respeito meter o sarrafo nisto. Mas, repetir, forçar a opinião, agir de maneira violenta! Não, isto já passa dos limites! Ou você, detonador inconseqüente, não ficaria puto se algum fã da obra X rasgasse SEU livro favorito na frente de milhares de pessoas? Respeitar os gostos e atitudes (normais) dos alheios é trato social. Você faz parte de uma sociedade? Aja como tal! Dê o exemplo! Respeite para exigir seu respeito!
Por que você pode querer ser Crítico, ou apenas criticar. Até mesmo os dois.
Só não pode querer ser um idiota.

Um comentário:
Tem uma comunidade do Orkut que eu amo chamada Clube dos Desenhistas de Mangá... O pessoal discute até religião lá XD Mas a maioria tá na categoria "idiota" desse texto :P
Pra variar, adorei manolo /o/ Tu escreve bem pacas o_O
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