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quarta-feira, 30 de março de 2011

Resenha: Assassino à Preço Fixo (2011) – Um remake, dois carecas e três coisas tristes do cinema atual.

Há muito tempo se discute que um gênero, muito querido nos do início dos anos 80 ao fim dos anos 90, hoje jaz morto, enterrado, sepultado e se revirando no túmulo por conta desses vampiros purpurinados e piratas que usam lápis de olho. Estamos falando dos filmes de action hero, que tanto fez a alegria da molecada (homens e mulheres) que se inspirava naquelas figuras icônicas (o que é apenas um termo metido pra dizer que aqueles heróis eram “do c****”) imortais, indestrutíveis, impotent... (ops, não =P) e com os mais variados sotaques estrangeiros interpretando máquinas de matar americanas ambulantes. Dos mais “recentes” Sylvester Stallone E Arnold Schwarzenegger à mais antigos, como Clint Eastwood, ou até mesmo Charles Bronson (que já, já volta a ser citado.), cada um desses fez história.
No entanto, o que se observa hoje é que este gênero, embora meio chutado e galhofa, não pode ser destruído. Afinal, são Heróis (com agá maiúsculo mesmo)!!! E não importa o que você diga, o que você quer ver é isso! Bem contra o mal, batalhas épicas e os Heróis vencendo no final. E não acompanhar uma novela água com sangue açucarado no cinema. No entanto, com raríssimas exceções (Vide Mercenários, recente jóia do Stallone), parece que a mágica se perdeu. O mundo hollywoodiano não sabe mais fazer Action Movies.
Então, que fazer?
Remakes é claro!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Amar. Voar? Caminhar! Seguir em frente.

Nunca entendi bem a fixação das pessoas em comparar o sentimento de amor com o vôo. Quer dizer, em si, não tenho nada contra voar, sentir a brisa do outono no meu corpo ou ter um ventilador na minha cara. Vento. Sim, eu gosto do vento. Tenho uma ligação muito especial com ele (que não vai ser discutida agora. Esse post é sobre oooutra coisa.).

Mas amar, para mim. Não é voar.

Não é sobre excesso de liberdade. Não é sobre ausência de limites ou barreiras. Não é sobre as turbulências ou pressões dependendo do momento.

É sobre não ter onde firmar seus pés.

Amar não é apenas se sentir extasiado a ponto de se desligar do mundo. Não tem a ver apenas com se sentir poderoso, fraco, longe ou perto. Amar, infelizmente, tem a sua característica mais marcante nos momentos onde tudo não está bem.

O amor (e pego essa palavra com todo o cuidado, pois depois de passar por tantos dicionários e bocas de poetas, tem o significado diluido, e a resistência fragilizada) é se utilizar de termos pouco usados e não muito atraentes em discursos oníricos e bregas. Amar é aturar. É resistir. É brigar. Batalhar, guerrear, defender, e outras tantas que quando você vê a primeira vez, só imagina desgraça. Mas não. Se você para e pensa, só a pessoa que realmente está do teu lado segura suas chatisses, problemas, brigas, intromissões (que também pode ser atenuado para "excesso de zelo"), tanto para ele quanto para ela (e digo isso compreendendo todas as variações de relações entre gêneros que possam existir). A paixão, sim, é enxergar e exarcebar o lado bom de quem se está fascinado. É magia, e se quebra.

Mas amar é ver tudo que há de errado. E continuar lá. ao seu lado.

E, afinal, também existem as palavras boas.

Por que amar também é levantar, sustentar. Dar forças àquela pessoa mesmo quando quem também precisa de forças é você. Amar é rir dos problemas, e fazer piada da desgraça até ela perder o significado. É inventar apelidos ridículos que só você e seu amor conheçerão. É poder zoar e ser zoado. É poder deixar de ficar sério. Sentar e descansar no fim do dia. Isso sim é amar.


Amar, portanto, não é voar. Amar é poder colocar os pés na terra. Ter um apoio que nunca vai ceder, e que mesmo quando você cair, não vai deixar você descer mais do que o chão onde você está. Afinal, sempre podemos afundar mais. Só não caimos de vez por que existe um chão onde nos apoiamos.

Só não caimos de vez quando amamos.

E é isso que você é. Aquilo que não me deixa afundar. Que me segura na pior das tempestades. Que me acolhe e dá possibilidade de eu melhorar, crescer, criar uma vida, gerar meus frutos. Você é a terra que me nutre, que me sustenta, me levanta e não deixa que eu me perca de vez.

Você é o meu amor.

Sim, existirão terremotos. Talvez eu não cuide sempre bem de você. Talvez você não cuide sempre bemd e mim. Eventualmente mágoa, que irá sarar.
E haverá um amanhã onde eu caminharei com você, seguindo em frente, para nós dois construirmos uma vida melhor.

Para mim, o amor é assim.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Fim. E lá se foi o carnaval.

E apaga-se a luz, e se calam os tambores. Param de cair os confetes, e inês jaz cremada.
Orfeu ja se deita com sua amada. E finalmente o Pierrot desencanou da p**a da Colombina (que nada!). E agora são só as cinzas.
Mas sim. Ainda é carnaval, não se esqueça que quem é você, por que amanhã tudo volta ao normal, mas não quer dizer que você vá morrer.
Mas já foi carnaval, e não importa quem já foi você, tire a máscara e sorria afinal, pois melhor que sonhar é viver!
E dê fim a todas essas ilusões e amores. Por que maquiagem seca, mas paixão sempre deixa marcas. Não se arrependa de ter sonhado e acordar.
Por que sim, o carnaval acabou. Mas a festa vai só começar. Bons sonhos.

terça-feira, 1 de março de 2011

Contos: Terra de ninguém.

Errr, novamente uma pequena temporada sem uma conexão que prestasse não me deixou postar material novo no blog. Mas aí vai um conto mais antigo que eu fiz. Espero que curtam! Esse também vira livro ;) (espero =x). See Ya, e peloamordedeus, POSTEM!!! \o>

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Introdução

Num quarto fracamente iluminado de um bairro pobre de Recife, que fedia a mofo, latrina e suor, a dor de cabeça acabava de acordar Xavier.
Este incômodo já era um velho conhecido seu. A sua rotina, terrivelmente instável, fazia com que ele normalmente não dormisse, ou, se conseguisse, dormisse mal. E usualmente era a dor de cabeça seu primeiro bom dia que recebia.
Mas hoje tinha algo a mais. O forte cheiro de ferrugem. Empesteava o quarto, a casa, vindo principalmente das roupas que Xavier havia usado no trabalho, no dia anterior, e de suas mãos. Mas sabia de onde vinha, e o motivo do cheiro forte. Jó havia lhe explicado sobre a profissão. Quando se sujava as mãos no trabalho, o cheiro era este mesmo. E ele tinha trabalhando muito na noite anterior. Motivo pelo qual não tinha dormido. Motivo pelo qual sua dor de cabeça lhe dava bom dia novamente.
Tudo estava bem. Tudo normal. Era hora de trabalhar.


A oficina BaiBai. Barulhenta. Suja. Um tanto acabada e caindo aos pedaços. Chapas de aço enferrujadas a um lado. Clientes enganados e indignados a outro. Faz parte da vida.
O barulho era o bom dia da oficina para a cidade, e a cidade recebia este bom dia como qualquer pessoa normal receberia: Olhando indignada para a massa de ferro e solda, que acumulava sujeira, trapaças, roubo e demais subterfúgios – que pelo excessivo tamanho da lista não serão citados aqui – dentro de suas dependências, e ao redor da mesma. Dentre as quais podemos citar Dário.
Dário ficava ao lado da oficina. Era um traficantezinho viciado e inofensivo, ou pelo menos parecia, na faixa de uns Vinte e muitos anos. Na maioria das vezes, nem era notado na verdade. Só os funcionários da oficina que sabiam com certeza que ele podia estar por ali. Tinha um jeitão de boa praça, próprio dos malandros menores, ou dos pobres coitados que se achavam muito malandros. Sempre pagava uma rodada de cerveja pra todo mundo, e às vezes rolava até um “tapa” de boa fé, que quase todos aceitavam, terminando suas tardes rindo abestalhados da vida, enquanto Dário balançava sua barriga protuberante, cheia de álcool. Nessas ocasiões, o falso loiro inventava umas histórias de como tinha sido matador temido por deus e o diabo, como era terrível e intocável.
Obviamente a história era uma fraude.
Pelo menos todo mundo dizia isso.
Uns dois ou três já afirmaram que viram o que Dário podia fazer com raiva, uma faca, e um pobre coitado pela frente. Esses Tinham um pouco mais de cuidado com ele. Juntando isso com o fato que normalmente andava com uns dois guarda costas tamanho armário, era algo a se levar em conta.
Xavier trabalhava a duas semanas na oficina, mas já tinha saído nessas bebedeiras. Pelo menos em três vezes tinha fumado uma do cara, e já era quase “brothar” de Dário. Diziam que cedo ou tarde os dois iam se agarrar. Dário ria da piada. E gostava. Xavier só se calava. Era gente boa. Mas bem calado. Beeeem calado. Enfim, todo mundo achava que o cara tinha gostos... Exóticos.
Na sexta a noite, como de costume, Dário pagou a rodada. Levou todo mundo para uma casa com uma singela luz vermelha no topo. As “garçonetes” Já começavam a fazer seu trabalho. Tudo na mesma. Só os dois rinocerontes do Dário não estavam. O mesmo afirmou que eles deviam estar em qualquer ouro lugar. Nem tinham ligado! Safados...
Xavier e Dário ficaram separados da turma. Todo mundo tinha se convencido que os dois iam se agarrar. As piadas aumentavam e, de repente, ninguém nem prestava atenção.
Dário, com uma garrafa de vodka na mão, e um cigarro na outra, já começava a contar seus “atos” para Xavier – Ah, a gente era peso Brothar! Ninguém segurava a gente. Só os melhores! Só os melhores!
- Ta, ta... melhores... já ouvi essa. Mas esse bando aí. Veio de onde? – Deu de ombros Xavier.
- Hann... Deixa eu ver... – Dário fechou os olhos. – Puta meu! Foi uma história mó macabra cara! Você nem vai acreditar! As vezes nem eu acredito! HAH!
- é? Conta ai.
- Pô! Tipo! Tinha um cara que seqüestrou uma vadia que era mulher de não sei quem, aí a gente que não gostava muito do cara, aproveitou a desculpa para se juntar, e dar um papo com ele. Um papo sério!
-É? E daí? – Xavier se inclinou na mesa. Não tinha ninguém onde eles estavam. O barulho era quase insuportável. Eles só conseguiam se falar por que estavam um do lado do outro. Bem perto.
-Aí a gente foi né cara? Chegamos, na cara dura, e pá! Tiro pra tudo que é lado! O cara tava com o bando dele, e tava com a mulher e um guri retardado lá... Enfim, sangue e fogo pra tudo que é lado. Um inferno! Mas, aí, no fim das contas, a gente pegou o miserável.
-É? É quente mesmo...
-Afe. Mas foi um pé no saco. A gente matou a cadela no meio da bala. A doida foi pegar o guri dela.
Xavier estava com os pelos do corpo eriçados. Parecia excitado. Corria a mão pela calça. Dário estava feliz. Ia se dar bem.
-Putz... Mas... Dário... Depois de matar tanta gente... Tu ainda lembra do nome dela? Eu mesmo duvido...
-Bem, todo mundo não... Mas essa cadela... Eu lembro viu?
-É? E qual era?
- Luciana... Luciana Savier... Ou algo assim... Sei lá! Mas era Luciana... Linda viu?... Mas estúpida o suficiente para entrar na frente de bala... Por um fedelho! Doida...
-É?... Pô... E o guri? Que rolou com ele?
Dário estava bem excitado. Parecia que Xavier tinha desses prazeres mórbidos. Ele gostou do rapaz.
-Ah! Sei lá! Deve ter morrido... Engraçado... – Parou um instante... – por acaso lembrei o nome dele... É... Um... Cláudio... Acho... Não... É...
-Carlos. – Disse Xavier, com um súbito clique. Que poderia ser um interruptor, um pedaço da cadeira ou da mesa quebrando, ou uma pisada estranha no chão.
Mas Dário sabia do que era o som.
Era o som que afirmava que ele devia ter dado uma boa trepada antes de ir ali. Que ele podia ter pegado emprestado aquela grana dos agiotas, que não tinha nem o risco de pagar. Que Não importava mais ele ter gonorréia, e que o Carlão nunca mais ia ver ele.
Era o som que dizia que ele iria morrer.
-Sabe o que é engraçado? É que Carlos é o meu primeiro nome...
Dário não riu.
-E mais ainda... Luciana... Xavier... É o nome da minha mãe... Era...
Dário chorava.
-Tem dois caras que vão arrancar o teu couro quando...
-O noticiário de hoje mostrou dois homens grandes e fortes, mortos numa fazenda. Mas talvez você não tenha visto.
-Tem mais gente... – Ele quase soluçava. Não tinha coragem de gritar. Não tinha voz para gritar. Não conseguia gritar nem mesmo em sua mente. Estava morto. Morto! – que vai te procurar...
-Ah, nãããão... Você não entendeu...
“Quem vai procurar essa gente... sou eu!”
O tiro, no coração, foi abafado por um bolo de panos de pratos, sumidos da cozinha. Ninguém teve a impressão de ter ouvido um tiro. Talvez alguma coisa que tenha caído. A bala ficou alojada. O sangue ainda assim espirrou. Um pouco na camisa, um pouco nas mãos... Ficariam com o cheiro de ferro de novo. Tudo bem... Isso fazia parte do trabalho, como sempre falara Jó, seu professor.
Serviço feito.
Serviço iniciado.
E era, realmente, só o começo. Tinha um bando inteiro para perseguir e matar. E ainda tinha que ganhar uma grana para o jantar da próxima semana. Levantou-se com o cadáver, que não escorria graças aos panos.
-Bebeu demais esse.
Dário se deu bem, pensou todo mundo. Ninguém saberia para onde ele foi.
Ninguém se importaria.

Xavier olhou para a lua, depois de jogar o corpo no meio do mato. Demorariam alguns dias, talvez semanas, para descobrirem o corpo ali, e mais algum tempo para que fosse identificado. Isto é, se ainda pudesse ser identificado.
Xavier, o homem, esquecia do cheiro do sangue em suas mãos. Carlos, o menino, lembrava a noite em que havia morrido e renascido.
Sabia que iria ter pesadelos novamente.
Tudo bem. Menos um na lista.
Faltam seis.
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Por P. Teixeira.
Que thal? han? han? =D