A terceira e última parte do primeiro capítulo.
Espero que gostem.
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III
- Ande verme, pois os tubarões tem fome! – Berrou um marujo do Serpente Marinha, empurrando com um sabre Josh para o fim da prancha, e estranhando o dia cada vez mais confuso. Havia sangue nos olhos daqueles homens, e Josh só aplacaria uma parte. O restante seria por conta da tripulação do Melindroso, fosse quem fosse. Homem, mulher, adulto ou criança. E Izabel, a governanta que se afeiçoara a menina de olhos de mel a ponto de se rebelar aos seus patrões, temia por este momento.
Josh, vendo seu fim se aproximar cada vez mais, resolveu que não seria interessante para seus planos morrer ali, e se virou, assustando a todos e mais uma vez chocando a todas as tripulações, seja do Melindroso ou Serpente Marinha. Limpou a garganta (ah-hem) e começou a fazer jus a seu apelido em Cautle.
- Pois bem cavalheiros, com licença, posso saber por favor, por que estou sendo jogado da prancha?
Alguns piratas se entreolharam, antes de um deles se atrever a responder – Por que irritou nosso capitão, idiota!
- Mas, EU, irritei o senhor, excelentíssimo capitão, de alguma forma?
Caveira Vermelha, notando que subitamente as atenções se voltaram a ele, se limitou a responder – Você foi impertinente rapaz! Impertinente, estúpido, tolo, descuidado e desinformado – Seus marujos riram e concordaram – Nem ao menos se dignou a reconhecer quem sou!
E então, a língua de Josh começou a cantar sua ladainha.
- Mas capitão, caro capitão! – Disse descendo da prancha como se este ato não fosse absurdo e foi para o lado do capitão, conversando como se fossem velhos amigos – Se não soube quem era o senhor, foi apenas por que eu fui mantido na ignorância! Estes senhores me mantinham preso e escravo, senhor, apenas para vender meu corpo sem alma, para fazer experimentos diabólicos comigo!
- Que! Mas isto é um absurdo! Eu nunca nem vi este senhor em... – Começou lorde Cecee, sendo mais uma vez interrompido.
- CALADO! – Exclamou Caveira Vermelha, agarrando o nobre pela gola da sua camisa de linho, já não suportando ouvir a voz do patife – Você não tem voz aqui seu miserável! E se tornar a falar, eu mesmo arrancarei sua língua fora aqui mesmo!
- E como você vê – Continuou Kallahow, empolgado - Eles me mantinham preso em um barril, simplesmente por que eu não aceitava a forma que eles tratavam a mim e minha pobre irmãzinha – disse isso andando até o lado da menina mais próxima e amável que tinha visto, a de olhos de mel – aqui!