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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

[CONTO] O Dia do Homem.



O homem se sentou em seu leito de sono, pés descalços e nú, embora roupa lhe cobrisse o corpo. Sabia que quando finalmente dormisse, não importava que pijama vestisse, que lençol o cobrisse ou que teto o guardasse, dentro de sí estaria nú. Era um pensamento filosófico, profundo e irrelevante comum aqueles que estavam prestes a dormir, mas afinal, somos todos humanos e não recusamos tais pensamentos.

Sentado, o homem pensou em suA madrugada, e nas lembranças que por bem da verdade não existiam. Era a única hora do Seu Dia em que não haviam arrependimentos. Não havia do que lembrar para se arrepender. Só havia o sentimento de perda, mas nem sabia do que. Não lembrava, mas sabia que havia tido carinho materno. Não poderia saber, mas entendia que devia ter tido orgulho paterno. Não compreendia como, mas aceitava que fora em sua manhã que tinha tido sua bebida mais deliciosa e gratificante; Ironicamente, leite.

domingo, 12 de agosto de 2012

O Seu Paulo



O Seu Paulo é um cara chato.
É caxias, implicante, comilão e briguento. Quando a gente discute, é uma nova guerra mundial, e olha que  a gente discute quase sempre, pelo menos uma vez por semana. Temos diferênças de idéias, ideologias, posições e estilos.

As vezes, a gente se odeia.

Mas no resto do tempo, a gente se ama.

Por que foi o Seu Paulo que me ensinou a pensar de forma livre. Foi ele que me mostrou os primeiros acordes no violão. Era ele que convencia a dona expedita, minha excelentissima mãe, que assistir aqueles desenhos japoneses malucos não era uma má ideia.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

[CONTO] O Ovo de Ouro



O ovo DO DRAGÃO.
“Uma morte honrada vale mais que ouro”. Era uma frase popular entre os templários de Urbano II.
O sarraceno cuja cabeça acabava de ser separada de seu corpo por uma lâmina sanguinária provavelmente discordaria.
- IN NOMINE PATRE! – Gritou um homem, enquanto o pandemônio de sangue e poeira se seguia.
Poeira levantava a cada corpo tombado. A batalha, que não durava mais que alguns minutos, custava a vida da maioria dos guerreiros que dela participavam. Sem dúvida, menestréis de todo o mundo dariam os dedos de suas mãos para tê-la presenciado e poder narrá-la com todos os detalhes que lhe cabiam. Foram doze guerreiros santos, entre cavaleiros e soldados cruzados, ao encontro de pelo menos o triplo mais dez de infiéis.
No fim, restavam apenas cinco cruzados, quatro cavaleiros e um soldado, contra uns vinte sarracenos. E mesmo que fossem duzentos ou dois mil não faria diferença.
Pois aqueles guerreiros eram a fúria divina.
- Abaixa Nathaniel! – Berrou Lucas, o jovem soldado, aparando um golpe que se dirigia ao pescoço do amigo. Nathaniel se limitou a sorrir e matar o agressor.
- Não precisa me proteger menino! Mateus ou o Gordo, talvez. A mim, nunca! – Disse, antes de se atirar e matar o próximo inimigo.
Sangue e terra se misturavam no combate. Um rapaz, pouco mais velho que Lucas e tão esguio quanto ele, lutava com duas espadas curtas, uma em cada mão, e parecia acertar brechas invisíveis nas defesas dos inimigos. O outro, um homem gigantesco com um machado digno de si, não precisava de tais brechas. O balanço de sua arma, um bocado cruel de aço, era o bastante para eviscerar qualquer tolo que se opusesse a ele.
E mais que qualquer um deles, um homem de barba na altura do peito e olhos soturnos matava a todos ao seu alcance. Seu olhar soprava o frio da morte, e era a ultima coisa que seus oponentes enxergavam. Pelo menos dez tombaram apenas por sua espada.
Counes, o herói das cruzadas, fazia mais uma vez sua lenda crescer.
E assim, rapidamente a batalha terminou, com mortos, quase mortos e nenhum fugitivo. De pé, só aqueles cinco homens. Reagruparam-se saudando uns aos outros. Todos se conheciam de longa data e batalhas heróicas.
- Por fim, sucesso! – Declarou Mateus, com um sorriso petulante.
“Chama de sucesso perder metade de nossos homens? Tolice.” Retrucou Counes com severidade. Caminhou entre os mortos, rezando por cada companheiro que encontrava. Não disse a maioria dos nomes. Os rostos desfigurados não permitiam reconhecimentos. “Esta luta foi insensata. Que ganhamos com isso?”
“Além de sangue na espada? Um tesouro, claro. Tantos homens escoltando uma arca, sem dúvida deve ser algo valioso. Alguma bobagem pagã com ouro!” Disse Nathaniel chutando um cadáver. Counes se limitou a olhá-lo com repreensão. Havia sentido nas palavras de Nathaniel, mesmo com suas maneiras desonrosas.
- Sangue no meu machado já me satisfaz. Mas aceito o que vier. – Falou o Gordo, se sentando. Lógico, este não era seu nome, mas de tanto ser chamado assim, resolveu adotá-lo.
- E é certo se apropriar disto? Nada de bom virá do que desonra nosso Deus. – Perguntou Lucas com sinceridade. Em resposta, apenas um riso debochado de Mateus, que o acompanhou em direção à arca dizendo “Sua fé e honra são tocantes e inúteis, Lucas. Mas tudo bem. Eu fico com tua parte.”
A arca, ricamente adornada com prata e pedras preciosas, era coberta com seda da melhor qualidade. Os cinco se aproximaram sem medo, pois qualquer que fosse o perigo, ele cairia por suas espadas. Mesmo assim, Lucas ficou um passo mais distante do que os outros.
“Não gosto da sensação que ela me passa” disse.
“Pois ela só me passa a sensação de...” Começou a debochar Nathaniel, mas parou ao ver o que havia dentro da peça.
Um imenso ovo dourado refulgia aos olhos de todos. Mateus não resistiu e o tocou, apenas para se surpreender mais. A superfície se dobrou como apenas ouro puro de dobraria. A peça brilhava como apenas ouro puro brilharia. E nenhuma duvida restou.
Era um imenso ovo de ouro.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Fim de Bakuman. Trágico, trágico!

Eu falo sobre postar mais textos e fico 4 meses sem postar nada. Que vergonha viu?



Bakuman. Muita gente aqui pode nunca ter ouvido falar deste mangá. Bom, muita gente pode não saber nem o que é mangá. Se este for o caso, curiosamente, Bakuman é a leitura certa para você, que se interessa pelo assunto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Feliz ano novo!

E que seja um ano de muita fertilidade!

Se passou um ano. Se passaram 365 dias. Foram 52 semanas. É, 12 meses. Exatas (ou não tão exatas) 8760 horas.

E o mundo não mudou.

Claro, sei que todo mundo, no íntimo de suas resoluções de ano novo, sabe que o mundo não muda on intervalo do minuto entre 23:59 do dia 31 de dezembro para as 00:01 do dia 01 de Janeiro. As armas não sumiram, a fome não desapareceu, as pessoas continuam essencialmente terríveis umas com as outras e o Justin Bieber continua vivo enquanto o Michael Jackson morreu. Na realidade, até piorou um pouquinho com tantas pessoas nas esquinas da vida cantarolando "Ai, delícia, assim você me mata!" e deixando de pelo menos TAMBÉM prestar atenção em outras coisinhas um pouquinho mais construtivas.

Mas afinal, todo mundo só quer beber, festejar e ver os fogos explodirem. Pois todo mundo sabe que pra encontrar o verdadeiro amor você tem que pular sete ondinhas, pra conseguir um bom emprego tem que fazer promessa pra algum santo, ra conseguir se realizar deve-se fazer uma lista repetida das resoluções do ano anterior que não alcançaram (quase todas elas), e pra emagrecer você tem que fazer a dieta do chá amarelo de uma casca de árvore genérica.

E, se eu não estivesse fazendo essa piada, provavelmente estaria bem chateado com isso agora.

Não sou um grande exemplo de vida. Não tenho uma mazeratti para demonstrar minha riqueza, nem um milhão de seguidores no twitter para demonstrar minha popularidade (mas se quiser me ajudar, é só seguir o @meninoestranho =D.) nem inventei o facebook. Mas tenho uma coisa que, infelizmente, pouca gente tem hoje em dia:

Muitos itens resolvidos das resoluções de ano novo.

E o segredo para isso é bem simples. Não é fácil, mas é bem mais garantido que poluir qualquer oceano com rosas, cruzamentos de avenidas com comida, ou o espaço sonoro com rezas altas.
Para conseguir isso, você só tem que fazer uma resolução de você mesmo.

A verdade é que o ano pode até ter mudado. Mas você não mudou com ele. Seus defeitos e qualidades continuam os mesmos, provavelmente iguais aos que eram a 10 anos atrás. Portanto, se alguém tem um problema aqui, não é o ano. É você. Então, em vez de fazer uma promessa para o ano, que não tem nada com a sua vida, faça um compromisso com você mesmo. Faça resoluções para quem e o que você quer ser. Onde você quer chegar. O que você quer fazer. E como quer continuar.

Estou dizendo para não apenas mudar seus conceitos. Estou falando, isso sim, para você FAZER conceitos e ações novas. Quer emagrecer? Então não pode dizer que quer fazer isso amanhã ou até o fim do ano. Você tem que começar, e FAZER isso AGORA! Quer conseguir um novo emprego? Só colocar currículos não funcionou ano passado? Então estude mais. Converse com mais pessoas. Em vez de esperar uma agência de trabalho lhe fornecer um emprego, vá atrás do emprego que você quer. Sim, leve tapas na cara, mas chegue no RH e se ofereça para o trabalho. Quem quer trabalhar é você, e não é a empresa que nem lhe conhece que tem a obrigação de te chamar para trabalhar. E por aí vai. Se algo não mudou em sua vida, é por que suas ações não foram o suficiente para que mudassem. Não estou dizendo que você fez algo errado. Estou dizendo que não importa o que tenha feito, não foi o suficiente. Então, ou você tenta fazer outra coisa, ou faz o que fazia mais e melhor.

Por que não adianta esperar que o Ano faça alguma coisa para você. Quem tem que fazer alguma coisa pelo seu Ano é você mesmo.

A começar de agora.
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Em resumo, tenho muitos desejos para mim mesmo. Mais do que tinha antes. Um deles é que eu VOU postar mais este ano, e fazer mais gente ler este blog. Pode ser que eu consiga ou não. Mas eu vou começar a fazer isso neste exato momento. Espero que vocês também =).

Para todos aqueles que leem estes meus textos, desejo um feliz ano novo. E espero que vocês gostem tanto deste ano quanto eu sinto que vou gostar.

Feliz 2012. Cuidado com os Zumbis, e atirem sempre na cabeça =)