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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

[CONTO] O Dia do Homem.



O homem se sentou em seu leito de sono, pés descalços e nú, embora roupa lhe cobrisse o corpo. Sabia que quando finalmente dormisse, não importava que pijama vestisse, que lençol o cobrisse ou que teto o guardasse, dentro de sí estaria nú. Era um pensamento filosófico, profundo e irrelevante comum aqueles que estavam prestes a dormir, mas afinal, somos todos humanos e não recusamos tais pensamentos.

Sentado, o homem pensou em suA madrugada, e nas lembranças que por bem da verdade não existiam. Era a única hora do Seu Dia em que não haviam arrependimentos. Não havia do que lembrar para se arrepender. Só havia o sentimento de perda, mas nem sabia do que. Não lembrava, mas sabia que havia tido carinho materno. Não poderia saber, mas entendia que devia ter tido orgulho paterno. Não compreendia como, mas aceitava que fora em sua manhã que tinha tido sua bebida mais deliciosa e gratificante; Ironicamente, leite.

domingo, 12 de agosto de 2012

O Seu Paulo



O Seu Paulo é um cara chato.
É caxias, implicante, comilão e briguento. Quando a gente discute, é uma nova guerra mundial, e olha que  a gente discute quase sempre, pelo menos uma vez por semana. Temos diferênças de idéias, ideologias, posições e estilos.

As vezes, a gente se odeia.

Mas no resto do tempo, a gente se ama.

Por que foi o Seu Paulo que me ensinou a pensar de forma livre. Foi ele que me mostrou os primeiros acordes no violão. Era ele que convencia a dona expedita, minha excelentissima mãe, que assistir aqueles desenhos japoneses malucos não era uma má ideia.