Páginas

quarta-feira, 30 de março de 2011

Resenha: Assassino à Preço Fixo (2011) – Um remake, dois carecas e três coisas tristes do cinema atual.

Há muito tempo se discute que um gênero, muito querido nos do início dos anos 80 ao fim dos anos 90, hoje jaz morto, enterrado, sepultado e se revirando no túmulo por conta desses vampiros purpurinados e piratas que usam lápis de olho. Estamos falando dos filmes de action hero, que tanto fez a alegria da molecada (homens e mulheres) que se inspirava naquelas figuras icônicas (o que é apenas um termo metido pra dizer que aqueles heróis eram “do c****”) imortais, indestrutíveis, impotent... (ops, não =P) e com os mais variados sotaques estrangeiros interpretando máquinas de matar americanas ambulantes. Dos mais “recentes” Sylvester Stallone E Arnold Schwarzenegger à mais antigos, como Clint Eastwood, ou até mesmo Charles Bronson (que já, já volta a ser citado.), cada um desses fez história.
No entanto, o que se observa hoje é que este gênero, embora meio chutado e galhofa, não pode ser destruído. Afinal, são Heróis (com agá maiúsculo mesmo)!!! E não importa o que você diga, o que você quer ver é isso! Bem contra o mal, batalhas épicas e os Heróis vencendo no final. E não acompanhar uma novela água com sangue açucarado no cinema. No entanto, com raríssimas exceções (Vide Mercenários, recente jóia do Stallone), parece que a mágica se perdeu. O mundo hollywoodiano não sabe mais fazer Action Movies.
Então, que fazer?
Remakes é claro!

 E na onda desta canalhice de continuações sem pé nem cabeça (Embora Rambo 4 tenha sido divertido, e Rocky Balboa soberbo, ambos de Stallone novamente) algumas pérolas do tempo de nossos pais (a quem eu quero enganar? do meu também!) correm um risco sinistro de virar motivo de piada. Entre estes, vemos agora o Assassino a preço fixo (que concorre ao filme com pior tradução de título de todos os tempos, já que originalmente se chama “The Mechanic”, ou para os menos versados em inglês, O mecânico.)

À esquerda, o original, e embaixo, a nova versão, com Statham. Desculpem os puristas, mas o careca me convence mais hein? 






Para quem não conhece o original, a história não muda muito. Um assassino quer treinar um garoto para entrar no mundo do assassinato, numa história meio noir, colhendo os frutos de sua vida pregressa.
Como sempre, Statham cumpre o papel numa boa, com carisma e segurança, mostrando muque e careca de um lado pro outro. No entanto, o filme em si, não consegue dar a mesma segurança. O que em mil novecentos e bolinha funcionava bem não conseguiu ser repaginado, e o resultado ficou meios estático.
O filme em si, na verdade não é ruim. A dupla de Statham e Ben Foster (o segundo careca, e melhor em cena ator no filme, que interpreta o filho do amigo e mentor do personagem de Statham, Artur Bishop) funciona bem, conseguindo balancear momentos de tensão e cômico numa boa, sem parecer forçado. As duas cenas do filme onde existe um momento mais solo dele (a do assaltante de carros e do seu confronto com o primeiro alvo) são as que mais tocam o público, e a cena inicial com Statham beira ao perfeccionismo, com quase nenhuma fala, mas tudo o que você quer ver impresso na tela. No entanto, fica só nisso. O resto da primeira metade do filme é tão parada, mas TÃO parada, que você chega a se perguntar se é realmente um filme de ação, ou apenas mais uma tentativa de noir mal feito, tipo o Adrenalina em Bangkok, com Nicolas Cage (que é um filme terrivelmente Boooring).


"Estou avisando garoto, se me chamar de Bruce Willis mais uma vez, eu estouro a sua cabeça!!!"





Realmente, a segunda parte do filme finalmente desenvolve uma ação contínua e intensa, com direito a explosões no meio da cidade e plot twist e tudo, e devolve a esperança enquanto se assiste ao filme. A construção das cenas é bela, e empolga o espectador, até a cena final na cidade, onde finalmente se exorcizam os demônios com gritos de adrenalina e ação. Mas ainda assim, não é o suficiente para elevar a sensação que se tem do filme, que infelizmente fica no nível dos filmes genéricos de ação que existem por aí. Termina que não é ruim, até vale a pena assistir (no dia mais barato, claro), mas falta muito para superar aquele “espírito sessão da tarde” que assola a tela grande ultimamente.


 E isso realmente nos leva a pensar qual é a do cinema (aliás, do próprio cenário pop!) atual. Vemos claramente a aceitação do público quando apresentamos um bom exemplo de filme action hero no cinema (Mercenários foi uma das maiores bilheterias do ano passado, e estreou logo no fim do ano!), e sabemos que existem roteiristas por aí que podem criar uma história decente (ou no mínimo, divertida!). No entanto, vivemos aqui um marasmo de boas produções, e um investimento massivo em continuações esdrúxulas, antes que se procure sangue fresco. Agora, vivemos um era em que:
-   Centenas de atores mirins pipocam de vários cantos, sem uma grama de capacidade de interpretar, mas que conseguem levar fãs jovens (e, convenhamos, meio idiotas) ao delírio (e falência!) com seus rostos belos (ah-hem) e andróginos.
-   A escassez TOTAL de representantes ao cinema brucutu (os famosos action heros), provocando a necessidade de se confiar esse posto a gente que saiu de linha a uns 20 anos! E quando o Sylvester Stallone morrer? Olha que ele ta velho, hein?
-   A idiotização do cinema. Os produtores acham que deixar histórias mais simples (ou mesmo mais estúpidas!) pode atrair mais gente para as salas de cinema, quando é justamente isso que f*** com a imagem da diversão.




Portanto, é isso. Deus nos ajude, pois se precisarmos dos heróis do cinema para sermos socorridos, vamos ter que pedir ajuda a um vampiro que brilha com luzes de natal no sol e um bruxo inepto que não consegue demonstrar nenhuma emoção além de vontade de ir no banheiro.
Eu pessoalmente, ainda preferia o rambo.



Statham, voltando do mercado. Sim, aquele era o mercado.

Ficha Técnica:
Título no Brasil:  Assassino a Preço Fixo (No original:  The Mechanic)
País de Origem:  EUA. Gênero: Ação. Classificação: 16 anos. Tempo de Duração: 93 minutos. Ano de Lançamento: 2011. Direção: Simon West. Elenco: Jason Statham (Arthur Bishop); Ben Foster (Steve McKenna); Tony Goldwyn (Dean); Donald Sutherland (Harry McKenna) e etc…
Nota: ¨¨! (Duas esferas do dragão e meia. Nem é tão bom, mas até que vale aquela promoção da quarta, sabe?)

Curiosidades? Ta aqui a Seqüência final do filme original, onde o seu pupilo mostra TODA a sua gratidão com a morte do Charles Bronson. É. O Charles Bronson algum dia já morreu.

Um comentário:

CabulosoCast disse...

Gostei da resenha, porém meio confusa quando você passa metade do tempo criticando um público que curte outro gênero de filme, em vez de realmente falar sobre o assunto que você se comprometeu a resenhar!
Gostei da dica do filme e pretendo assistir as duas versões!

Cheiros da Serena!