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sexta-feira, 25 de março de 2011

Amar. Voar? Caminhar! Seguir em frente.

Nunca entendi bem a fixação das pessoas em comparar o sentimento de amor com o vôo. Quer dizer, em si, não tenho nada contra voar, sentir a brisa do outono no meu corpo ou ter um ventilador na minha cara. Vento. Sim, eu gosto do vento. Tenho uma ligação muito especial com ele (que não vai ser discutida agora. Esse post é sobre oooutra coisa.).

Mas amar, para mim. Não é voar.

Não é sobre excesso de liberdade. Não é sobre ausência de limites ou barreiras. Não é sobre as turbulências ou pressões dependendo do momento.

É sobre não ter onde firmar seus pés.

Amar não é apenas se sentir extasiado a ponto de se desligar do mundo. Não tem a ver apenas com se sentir poderoso, fraco, longe ou perto. Amar, infelizmente, tem a sua característica mais marcante nos momentos onde tudo não está bem.

O amor (e pego essa palavra com todo o cuidado, pois depois de passar por tantos dicionários e bocas de poetas, tem o significado diluido, e a resistência fragilizada) é se utilizar de termos pouco usados e não muito atraentes em discursos oníricos e bregas. Amar é aturar. É resistir. É brigar. Batalhar, guerrear, defender, e outras tantas que quando você vê a primeira vez, só imagina desgraça. Mas não. Se você para e pensa, só a pessoa que realmente está do teu lado segura suas chatisses, problemas, brigas, intromissões (que também pode ser atenuado para "excesso de zelo"), tanto para ele quanto para ela (e digo isso compreendendo todas as variações de relações entre gêneros que possam existir). A paixão, sim, é enxergar e exarcebar o lado bom de quem se está fascinado. É magia, e se quebra.

Mas amar é ver tudo que há de errado. E continuar lá. ao seu lado.

E, afinal, também existem as palavras boas.

Por que amar também é levantar, sustentar. Dar forças àquela pessoa mesmo quando quem também precisa de forças é você. Amar é rir dos problemas, e fazer piada da desgraça até ela perder o significado. É inventar apelidos ridículos que só você e seu amor conheçerão. É poder zoar e ser zoado. É poder deixar de ficar sério. Sentar e descansar no fim do dia. Isso sim é amar.


Amar, portanto, não é voar. Amar é poder colocar os pés na terra. Ter um apoio que nunca vai ceder, e que mesmo quando você cair, não vai deixar você descer mais do que o chão onde você está. Afinal, sempre podemos afundar mais. Só não caimos de vez por que existe um chão onde nos apoiamos.

Só não caimos de vez quando amamos.

E é isso que você é. Aquilo que não me deixa afundar. Que me segura na pior das tempestades. Que me acolhe e dá possibilidade de eu melhorar, crescer, criar uma vida, gerar meus frutos. Você é a terra que me nutre, que me sustenta, me levanta e não deixa que eu me perca de vez.

Você é o meu amor.

Sim, existirão terremotos. Talvez eu não cuide sempre bem de você. Talvez você não cuide sempre bemd e mim. Eventualmente mágoa, que irá sarar.
E haverá um amanhã onde eu caminharei com você, seguindo em frente, para nós dois construirmos uma vida melhor.

Para mim, o amor é assim.

Um comentário:

Vanessa Lima disse...

Nossa. O-O'

Olá Menino Estranho,

como vai você?
Sua visão de amor é estranhamente interessante. Eu não tinha ainda parado para pensar desse jeito.
Você tem boas ideias...
Escreve bem!
Fiquei feliz ao ler isso... ^^
Vou acompanhar as novidades!

Beijos, Vanessa.