Um dia eu tive uma idéia bem idiota. Quis me tornar rico. Da noite pro dia. Sem esforço.
Obviamente não deu certo. Dá certo para alguns. Mas não comigo.
Então pensei em fazer o inverso. trabalhar p/ c***** no trabalho mais difícil que eu puder encontrar. Que eu gostasse de fazer. E o que era isso?
Escrever.
E num desses dias, houve uma conversa mais ou menos assim:
Eu: "Mas eu nunca li uma história legal atual sobre piratas hein?"
Amiga: "É. Nem eu. Que coisa!"
Eu: "Ok! Então eu vou escrever uma!"
E este é o começo do resultado. Espero que gostem.
___________________________________________________________________
Corredeiras frias como geleiras, ondas quentes como dunas,
lagos loucos, marés de sais.
Homens fracos, mulheres fortes,
Mortes doces, vidas duras,
Caveiras limpas, tal quão ocas
Sorrisos vis de cobras abissais
Esqueçam todos os mapas, e as estrelas que os guiam,
Perca a esperança, pois és pecador.
Te agarre a sombra do rei dos mares,
Que ele te levará ao ultimo dos cais.
E lá, além de morte e desespero você verá
Ou talvez não...
O Ultimo Mar...
E tudo que o mundo deixou e há de cair lá!
O PRIMEIRO CAPÍTULO
(O Primeiro Capítulo)
I
“Era uma vez um pobre canalha chamado Josh Kallahow. Triste do rato calhorda, pego de um barril por piratas num barco nobre após um atol. E corrido numa prancha e jogado ao mar, morreu quando se afogou. Fim.”
Assim começava e terminava a própria biografia na mente do pobre canalha e calhorda Josh Kallahow, que se encontrava estacionado no meio de sua caminhada para o fim de uma prancha num navio pirata, depois de ter sido descoberto escondido num barril de um barco nobre pelos bucaneiros que o tomaram de assalto após a passagem do mesmo por um atol. Bem, este pode não ser o melhor começo de história de todos os começos de história, de todas as histórias do mundo, contadas ou não – embora possamos acrescentar que definitivamente não é a pior – principalmente por que o personagem principal da história que acabou de começar (supondo que o canalha e calhorda Josh Kallahow assim o seja) começou simplesmente morrendo, e, pondo assim, um fim na própria história. Mas os fatos do jeito que corriam só poderiam terminar em morte. A sua própria, diga-se de passagem, devorado por um tubarão se tivesse sorte, afogado lentamente no frio mar salgado de sabe deus onde, se tudo se encaminhasse como acontecia.
“Pois bem, não quero morrer. Não hoje!” Pensou o canalha e calhorda Josh Kallahow (não mais pobre). Então, virou-se para o convés do melindroso, uma das escunas nobres de nome mais afeminado que se tinha notícia, e começou a argumentar por sua vida com todos os bucaneiros bravios que haviam tomado a embarcação nobre, estes parte do bando de um famoso e temido capitão pirata que observava Kallahow irado e surpreso por este ter ousado simplesmente se virar para sua tripulação e começado a conversar com os patifes como se fosse companheiro de todos eles, e não um rato de proa condenado a andar na prancha segundos antes depois de ter tripudiado do capitão.
Pois bem! Esta narrativa esta ficando mais confusa a cada segundo, então tratemos de explicar o presente momento, pedaço por pedaço.
Esta história começa em... Bem, se fossemos começar do começo MESMO, iríamos entrar em detalhes da criação do continente de Sona, localizada num mundo chamado mundo (pois afinal de contas, que povo nomeia seu próprio mundo?), e da criação deste país de Micina, que possui um condado chamado Cautle (que também teríamos de divagar sobre a criação, embora eu possa afirmar com toda a convicção, trata-se de uma história interessantíssima) que possui mares, e são nestes mares onde se passam a história atual. Isso sem falar na história de cada pirata mequetrefe até o capitão, além de serviçais, nobres, esposas, amantes, e a história da vida do próprio personagem principal.
Não, isto seria por demais maçante. Vamos nos contentar então em apenas como se originou a cena em que paramos:
O que aconteceu de parte da escuna Melindroso, o navio nobre com um dos nomes mais afeminados da história, foi simples de entender. Acontece apenas que aquela era uma viagem a muito marcada pelos proprietários do navio, os digníssimos (ou nem tanto) Lordes Cecee, para alguns poucos nobres escolhidos a dedo realizarem um mercado de negociações um tanto... exóticas, que no continente não seriam apreciadas pelas forças legais de Micina, e, portanto, para evitar embaraços desnecessários e complicações legais, eram realizadas em mar, campo neutro e portanto um lugar bem mais SEGURO aos exóticos negociantes.
O que é, sem dúvida, hilário.
O que aconteceu da parte do pérfido Serpente Marinha, e seu temível e sanguinário capitão, Bento, o Caveira Vermelha, tratava-se apenas de uma feliz coincidência (bem, feliz se você faz parte da tripulação do Serpente Marinha, óbvio. Se você fosse, no entanto parte da tripulação do Melindroso, estaria achando a coincidência extremamente desagradável, caso, é claro, viesse a saber dela, o que provavelmente nunca teria a chance de saber.). Simplesmente o capitão e sua terrível tripulação haviam saído a pouco atrás do maior dos tesouros. Mas não apenas um dos maiores tesouros. Eles caçavam exatamente O Maior dos Tesouros! Nunca dantes visto, encontrado ou tocado, mas eternamente eternizado em sonhos de loucos piratas visionários.
Eles iam atrás do Último dos Mares.
Mas isso já é outra história.
O capitão havia posto os negros olhos peçonhentos e mão engorduradas em um mapa que julgava verdadeiro. E ouvir isso deste homem que era considerado um especialista em fraudes mais que nenhum outro em terra ou mar, era algo a se considerar. E, quando você sai em busca de um tesouro dessa magnitude, com um mapa possivelmente verdadeiro, você deve se abastecer o máximo que puder. Até mesmo saques em alto mar rareavam a embarcações neste tipo de empreitada, pois uma única luta violenta poderia por a perder meses de preparação por conta de consertos em cascos em alto mar, mortes na tripulação e energia desperdiçada em tomadas de navios oponentes. Isto sem contar a possibilidade dos piratas simplesmente perderem, o que nem o capitão Bento se impedia de cogitar, pois num mar inconstante, uma simples onda maior ou a perda de uma brisa num momento crucial pode colocar todo um assalto a perder.
Portanto, ver uma presa fácil, ancorada logo após um atol, sem quaisquer defesas, é considerado um bom presságio dos deuses, pois mesmo os piores piratas têm deuses em quem acreditam, mas não obrigatoriamente oram. E, no intuito de se abastecer de mais provisões frescas e ouro fácil para uma difícil missão como aquela, os piratas da Serpente Marinha mudaram seu curso e abalroaram aquela embarcação pobre de defesas, mas abarrotada de riquezas.
O Melindroso contava apenas com uma boa dúzia de combatentes úteis, estes no local apenas como guarda-costas de lordes abastados. O resto da tripulação era composta apenas de marujos submissos aos desejos do lorde e senhora Cecee, pagos para trabalhar e bonificados para ficar de boca fechada para o que acontecia ali, e, portanto, inúteis para o breve confronto que se passou para que os piratas tomassem conta da nau. A dúzia de guarda costas parte foi morta, parte se entregou, o que não impediu de serem mortos momentos depois, cortados ou jogados da prancha. Mas já chegaremos aí.
Como os próprios lordes seriam considerados criminosos tão vis (ou até mais) quanto os piratas, caso os soldados de Micina pusessem seus olhos no negócio que faziam, não pediram qualquer escolta de barcos de patrulha, e tampouco informaram sua partida no cais. Deveria ser uma viagem de apenas algumas horas, do porto ao porto, como faziam algumas famílias abastadas e gastadeiras, do tipo dos lordes Cecee. Portanto nada era considerado estranho.
Bem, e por fim, a história do jovem Kallahow. Ênfase no “jovem”, pois nas terras de onde eu venho, experiente, louco, rico ou não, um rapaz de 17 anos ainda é Jovem. E sua história é um pouco mais difícil de entender. Não no sentido de rebuscada, mas sim no fato de por vezes lhe faltar sentido.
É que o rato, trapaceiro, canalha e calhorda Josh Kallahow queria ser um herói.
Pois bem, a história toda é um pouco longa, então vou tomar a liberdade de resumir. Volto a ela outra hora, se der tempo, houver motivo e me der na telha, pois bem?
Josh nasceu e cresceu sem pai nem mãe. Não no sentido biológico da coisa, pois ele certamente nasceu de um parto normal, e não simplesmente brotou de um repolho, ou foi entregue por um urubu ou outra ave qualquer. Claro que de normal só teve o nome, pois de tão anormal, o parto tirou a vida da mãe, o que não era a parte anormal da história, já que a mesma estava sofrendo de uma peste comum à época. A surpresa era apenas a de ela conseguir suportar até o nascimento da criança. E ele, o bebê, sobreviveu deus sabe por que, pois se a natureza tivesse seguido seu curso normal, o bebe seria o primeiro a morrer, antes mesmo de sair da barriga da mãe. Ainda mais, nascera sem defeito nenhum, a não ser que você conte como defeito o fato do bebê se recusar a chorar demoradamente com as palmadas que a parteira lhe dava, embora respirasse bem.
E em seus olhos, quem olhou jurava que havia a chama de um sobrevivente.
Ademais, de seu pai não se sabia nem a cor dos olhos. Sabia apenas que era negro e forte, pois o próprio Kallahow era amorenado e moldado em músculos, enquanto sua mãe era pálida de tão branca, e possuía feições delicadas (fato que ele descobriu indo um dia a sua lápide) o que, num único pensamento, se dava a resposta da equação simples. De fato, o único traço físico que Kallahow herdara de sua mãe, embora não soubesse, foram os olhos, incríveis pares vermelhos. Além disso, o resto era resto, e nada mais Kallahow sabia ou se importava. Pois o que determinou quem era residia nos anos que passou em um internato maligno, onde tentava não ser amolado ou molestado todos os dias, e os anos que passou nas ruas, onde tentou não ser enganado ou morto a cada instante.
E, no fim de seus 16 anos, e início de seus tenros 17 anos, Josh viu uma boa peleja dentro de um bar qualquer de uma rua qualquer do condado de Cautle. E decidiu virar Herói.
Mas isto, já é outra história.
Portanto, pensou Josh, para virar herói, deveria primeiro sair daquele condado idiota, que tantas dívidas fizera e tantos tolos enganara, pois sua maior chance era de ser morto numa ruela escura, sem nenhum feito conhecido. Então, no primeiro dia após fazer 17 anos, fato que desconhecia, pois afinal nem sabia quando ou onde nasceu, muito menos os nomes de seus pais, nem sua importância na vida deles, viu sua chance de fuga e debutar na saída inesperada de um barco do porto. Se infiltrou entrando em um barril direcionado ao barco, sendo lacrado lá dentro e esperando a chance de sair em um lugar totalmente novo. Se algo desse errado, simplesmente seria preso e voltaria para a cidade, onde conseguiria se livrar da prisão como já fizera tantas vezes, e tentaria de novo de uma maneira diferente.
Mal sabia ele que, na realidade, havia entrado no Melindroso, e que, caso tivesse sido descoberto, seria simplesmente morto no ato, pois aqueles fidalgos não iriam querer um pé-rapado qualquer sabendo demais e indo para prisões onde pudesse negociar sua liberdade por informações. E caso tivesse viajado despercebido, simplesmente voltaria ao ponto de saída, onde vários criminosos o procuravam, depois de receber a informação que o verme estaria no cais, seria surpreendido e morto, sem cerimônias pelos bandidos que devia ou enganou. Isto se não tivesse morrido asfixiado!
Mas “e se” é um termo inútil, na realidade. E não importava em que situação ele se encontraria “e se” algo mais tivesse ocorrido, pois nada mais ocorreu. E a situação que se encontrava era mil vezes pior que qualquer alternativa. Pois quem o encontrou vermelho e quase asfixiado dentro de um barril sem entrada de ar (pois afinal de contas, quem furaria um barril para deixar o ar entrar, liberando a entrada de roedores e insetos para os mantimentos, ora bolas?) não foi um serviçal qualquer daquele navio, ou mesmo um maldito bucaneiro sedento de sangue jovem.
Quem o encontrou, foi o próprio Capitão, o Maldito Excelentíssimo Senhor Verme e Demônio, Bento da Caveira Vermelha.
E que siga a história.
“Pois bem, não quero morrer. Não hoje!” Pensou o canalha e calhorda Josh Kallahow (não mais pobre). Então, virou-se para o convés do melindroso, uma das escunas nobres de nome mais afeminado que se tinha notícia, e começou a argumentar por sua vida com todos os bucaneiros bravios que haviam tomado a embarcação nobre, estes parte do bando de um famoso e temido capitão pirata que observava Kallahow irado e surpreso por este ter ousado simplesmente se virar para sua tripulação e começado a conversar com os patifes como se fosse companheiro de todos eles, e não um rato de proa condenado a andar na prancha segundos antes depois de ter tripudiado do capitão.
Pois bem! Esta narrativa esta ficando mais confusa a cada segundo, então tratemos de explicar o presente momento, pedaço por pedaço.
Esta história começa em... Bem, se fossemos começar do começo MESMO, iríamos entrar em detalhes da criação do continente de Sona, localizada num mundo chamado mundo (pois afinal de contas, que povo nomeia seu próprio mundo?), e da criação deste país de Micina, que possui um condado chamado Cautle (que também teríamos de divagar sobre a criação, embora eu possa afirmar com toda a convicção, trata-se de uma história interessantíssima) que possui mares, e são nestes mares onde se passam a história atual. Isso sem falar na história de cada pirata mequetrefe até o capitão, além de serviçais, nobres, esposas, amantes, e a história da vida do próprio personagem principal.
Não, isto seria por demais maçante. Vamos nos contentar então em apenas como se originou a cena em que paramos:
O que aconteceu de parte da escuna Melindroso, o navio nobre com um dos nomes mais afeminados da história, foi simples de entender. Acontece apenas que aquela era uma viagem a muito marcada pelos proprietários do navio, os digníssimos (ou nem tanto) Lordes Cecee, para alguns poucos nobres escolhidos a dedo realizarem um mercado de negociações um tanto... exóticas, que no continente não seriam apreciadas pelas forças legais de Micina, e, portanto, para evitar embaraços desnecessários e complicações legais, eram realizadas em mar, campo neutro e portanto um lugar bem mais SEGURO aos exóticos negociantes.
O que é, sem dúvida, hilário.
O que aconteceu da parte do pérfido Serpente Marinha, e seu temível e sanguinário capitão, Bento, o Caveira Vermelha, tratava-se apenas de uma feliz coincidência (bem, feliz se você faz parte da tripulação do Serpente Marinha, óbvio. Se você fosse, no entanto parte da tripulação do Melindroso, estaria achando a coincidência extremamente desagradável, caso, é claro, viesse a saber dela, o que provavelmente nunca teria a chance de saber.). Simplesmente o capitão e sua terrível tripulação haviam saído a pouco atrás do maior dos tesouros. Mas não apenas um dos maiores tesouros. Eles caçavam exatamente O Maior dos Tesouros! Nunca dantes visto, encontrado ou tocado, mas eternamente eternizado em sonhos de loucos piratas visionários.
Eles iam atrás do Último dos Mares.
Mas isso já é outra história.
O capitão havia posto os negros olhos peçonhentos e mão engorduradas em um mapa que julgava verdadeiro. E ouvir isso deste homem que era considerado um especialista em fraudes mais que nenhum outro em terra ou mar, era algo a se considerar. E, quando você sai em busca de um tesouro dessa magnitude, com um mapa possivelmente verdadeiro, você deve se abastecer o máximo que puder. Até mesmo saques em alto mar rareavam a embarcações neste tipo de empreitada, pois uma única luta violenta poderia por a perder meses de preparação por conta de consertos em cascos em alto mar, mortes na tripulação e energia desperdiçada em tomadas de navios oponentes. Isto sem contar a possibilidade dos piratas simplesmente perderem, o que nem o capitão Bento se impedia de cogitar, pois num mar inconstante, uma simples onda maior ou a perda de uma brisa num momento crucial pode colocar todo um assalto a perder.
Portanto, ver uma presa fácil, ancorada logo após um atol, sem quaisquer defesas, é considerado um bom presságio dos deuses, pois mesmo os piores piratas têm deuses em quem acreditam, mas não obrigatoriamente oram. E, no intuito de se abastecer de mais provisões frescas e ouro fácil para uma difícil missão como aquela, os piratas da Serpente Marinha mudaram seu curso e abalroaram aquela embarcação pobre de defesas, mas abarrotada de riquezas.
O Melindroso contava apenas com uma boa dúzia de combatentes úteis, estes no local apenas como guarda-costas de lordes abastados. O resto da tripulação era composta apenas de marujos submissos aos desejos do lorde e senhora Cecee, pagos para trabalhar e bonificados para ficar de boca fechada para o que acontecia ali, e, portanto, inúteis para o breve confronto que se passou para que os piratas tomassem conta da nau. A dúzia de guarda costas parte foi morta, parte se entregou, o que não impediu de serem mortos momentos depois, cortados ou jogados da prancha. Mas já chegaremos aí.
Como os próprios lordes seriam considerados criminosos tão vis (ou até mais) quanto os piratas, caso os soldados de Micina pusessem seus olhos no negócio que faziam, não pediram qualquer escolta de barcos de patrulha, e tampouco informaram sua partida no cais. Deveria ser uma viagem de apenas algumas horas, do porto ao porto, como faziam algumas famílias abastadas e gastadeiras, do tipo dos lordes Cecee. Portanto nada era considerado estranho.
Bem, e por fim, a história do jovem Kallahow. Ênfase no “jovem”, pois nas terras de onde eu venho, experiente, louco, rico ou não, um rapaz de 17 anos ainda é Jovem. E sua história é um pouco mais difícil de entender. Não no sentido de rebuscada, mas sim no fato de por vezes lhe faltar sentido.
É que o rato, trapaceiro, canalha e calhorda Josh Kallahow queria ser um herói.
Pois bem, a história toda é um pouco longa, então vou tomar a liberdade de resumir. Volto a ela outra hora, se der tempo, houver motivo e me der na telha, pois bem?
Josh nasceu e cresceu sem pai nem mãe. Não no sentido biológico da coisa, pois ele certamente nasceu de um parto normal, e não simplesmente brotou de um repolho, ou foi entregue por um urubu ou outra ave qualquer. Claro que de normal só teve o nome, pois de tão anormal, o parto tirou a vida da mãe, o que não era a parte anormal da história, já que a mesma estava sofrendo de uma peste comum à época. A surpresa era apenas a de ela conseguir suportar até o nascimento da criança. E ele, o bebê, sobreviveu deus sabe por que, pois se a natureza tivesse seguido seu curso normal, o bebe seria o primeiro a morrer, antes mesmo de sair da barriga da mãe. Ainda mais, nascera sem defeito nenhum, a não ser que você conte como defeito o fato do bebê se recusar a chorar demoradamente com as palmadas que a parteira lhe dava, embora respirasse bem.
E em seus olhos, quem olhou jurava que havia a chama de um sobrevivente.
Ademais, de seu pai não se sabia nem a cor dos olhos. Sabia apenas que era negro e forte, pois o próprio Kallahow era amorenado e moldado em músculos, enquanto sua mãe era pálida de tão branca, e possuía feições delicadas (fato que ele descobriu indo um dia a sua lápide) o que, num único pensamento, se dava a resposta da equação simples. De fato, o único traço físico que Kallahow herdara de sua mãe, embora não soubesse, foram os olhos, incríveis pares vermelhos. Além disso, o resto era resto, e nada mais Kallahow sabia ou se importava. Pois o que determinou quem era residia nos anos que passou em um internato maligno, onde tentava não ser amolado ou molestado todos os dias, e os anos que passou nas ruas, onde tentou não ser enganado ou morto a cada instante.
E, no fim de seus 16 anos, e início de seus tenros 17 anos, Josh viu uma boa peleja dentro de um bar qualquer de uma rua qualquer do condado de Cautle. E decidiu virar Herói.
Mas isto, já é outra história.
Portanto, pensou Josh, para virar herói, deveria primeiro sair daquele condado idiota, que tantas dívidas fizera e tantos tolos enganara, pois sua maior chance era de ser morto numa ruela escura, sem nenhum feito conhecido. Então, no primeiro dia após fazer 17 anos, fato que desconhecia, pois afinal nem sabia quando ou onde nasceu, muito menos os nomes de seus pais, nem sua importância na vida deles, viu sua chance de fuga e debutar na saída inesperada de um barco do porto. Se infiltrou entrando em um barril direcionado ao barco, sendo lacrado lá dentro e esperando a chance de sair em um lugar totalmente novo. Se algo desse errado, simplesmente seria preso e voltaria para a cidade, onde conseguiria se livrar da prisão como já fizera tantas vezes, e tentaria de novo de uma maneira diferente.
Mal sabia ele que, na realidade, havia entrado no Melindroso, e que, caso tivesse sido descoberto, seria simplesmente morto no ato, pois aqueles fidalgos não iriam querer um pé-rapado qualquer sabendo demais e indo para prisões onde pudesse negociar sua liberdade por informações. E caso tivesse viajado despercebido, simplesmente voltaria ao ponto de saída, onde vários criminosos o procuravam, depois de receber a informação que o verme estaria no cais, seria surpreendido e morto, sem cerimônias pelos bandidos que devia ou enganou. Isto se não tivesse morrido asfixiado!
Mas “e se” é um termo inútil, na realidade. E não importava em que situação ele se encontraria “e se” algo mais tivesse ocorrido, pois nada mais ocorreu. E a situação que se encontrava era mil vezes pior que qualquer alternativa. Pois quem o encontrou vermelho e quase asfixiado dentro de um barril sem entrada de ar (pois afinal de contas, quem furaria um barril para deixar o ar entrar, liberando a entrada de roedores e insetos para os mantimentos, ora bolas?) não foi um serviçal qualquer daquele navio, ou mesmo um maldito bucaneiro sedento de sangue jovem.
Quem o encontrou, foi o próprio Capitão, o Maldito Excelentíssimo Senhor Verme e Demônio, Bento da Caveira Vermelha.
E que siga a história.
2 comentários:
No começo achei um pouquinho confuso... mas tudo foi fazendo sentido depois! =)
Adorei o começo! Achei muito legal mesmo! Já tô doida pra ler o resto!
=***
Eu diria, algum tempo atrás, que o começo é confuso, mas andei lendo tanta coisa ultimamente que me fazem pensar que os começos confusos são os que mais fazem sentido depois. Então, pulo essa parte e destaco o humor, que foi bem trabalhado. Ah, também gostei das características do Josh, as boas e as más. rsrsrsr Vou ler o resto. XD
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