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sábado, 17 de setembro de 2011

RESENHA [FILME] – CONAN: O “RECEIO BAYWATCH”, BONECAS TCHECAS CIMÉRIAS DE TOPLESS E UM MONSTRO CHAMADO SAUDOSISMO

"Juro que quase li Born to be Wild"


Conan chegou aos cinemas. E chegou com toda uma expectativa gigante em suas costas. Mas não uma expectativa qualquer! Explico! Dentre todos seus espectadores, existem basicamente dois tipos de fãs que irão ver o filme no cinema. Um é o fã do Arnold Schwarzenegger (sim, este nome foi copiado e colado) e de seu Conan de cuecão de couro e sotaque austríaco. Este fã provavelmente acha que é uma heresia f***@ sujar a imagem de um dos personagens mais famosos de seu ídolo com um salvavidazinho (é, eu adoro criar palavras esdrúxulas) do Baywatch que usa lápis de olho no único bárbaro que interpretou. O outro é o fã do Conan dos quadrinhos, que está naquela se eles vão estragar a obra do Arnold, que afinal de contas fez um trabalho legal no cinema (oras, quem não se empolgou com o Arnold dizendo que seu prazer era “Destruir seus inimigos, vê-los sucumbir diante de si e ouvir o lamento de suas esposas”!!!). No fim, os dois fãs têm uma grande característica em comum, e a expectativa é a mesma:


A característica é que nenhum deles assiste ao filme original de novo.

E a expectativa é: Será que vale a pena ver o novo filme? Será que o garoto do Baywatch vai estragar a imagem icônica do Conan? Será que o filme vai ser uma m%#$@ foda???

Quer a resposta? Quer mesmo? Então aqui vai!!!
"Há, saca só, que essa eu aprendi no amurai shodow!"

Vale a pena!

(barulho de aplausos, comemorações e suspiros de alívio)

Sim criancinhas e criançudos, o filme vale a pena de ser assistido. É divertido, é legal, sanguinolento, tem FRASES DE EFEITO, e o mais importante, NUDEZ!

MAS, calma lá.

Por que isso tudo, vai com certeza agradar o público normal. Aquele que não teve a vida baseada na obra icônica de John Millius e interpretada pelo Governator (e, francamente, se você teve, têm um sério problema amigo.)

Mas e você, fã xiita do filme original? Aí é que está.

Sendo sincero, o Remake está a anos-luz de qualidade em relação ao seu antecessor (O que, não acredita? Acha que eu sou um maldito picto falando? Então vai ver o filme original meu filho! EU TE DESAFIO!). Roteiro, direção, atuação, mesmo tratando de um filme datado, de mil novecentos e bolinha, temos que ser sinceros e admitir que o novo Conan, como obra de cinema, é superior. Muita gente aí vai dizer que o Thulsa Doom era bem mais sinistro que o vilão novo interpretado pelo Stephen Lang (ehn, bem, é mesmo) mas não é por aí, hein? Mas a grande desvantagem deste “novo” Conan diz respeito exatamente no tocante à sua concepção.

Como assim?

Simplesmente a idéia não é mais original. Não é algo que trás algo realmente novo ou quebra paradigmas, como o filme original.

Simplificando? É um Remake brothar.

 
"Sssim, eu fiz esta tal de escova marroquina, e deu nisssso! Vou matar todos vocês por rirem de miiinha careeeca!"


Tudo o que o Conan do 1982 é hoje, diz respeito ao que ele significou na época: Um filme de aventura/ação com nudez, matança e o ARNOLD SCHWARZENEGGER !!! O que isso deve ter significado para os jovens da época, não têm como ser descrito, ou mais importante, repetido nos dias atuais! Aquele Conan, aquele filme, aquela obra, hoje em dia se encaixa como clichê de uma moda que passou há muito tempo. Heróis bombadões, invencíveis e de cabelo longo, os famosos Brucutus, hoje são considerados (errônea e infelizmente) produtos datados, passados, que não devem ser vistos ou apreciados. Lógico, isso é só uma generalização com o que a “cultura heróica” é hoje em dia, mas esta é a grande maioria. Além disso, o próprio conceito do filme não é mais novidade. Nudez? Sanguinolência? Efeitos especiais? Fantasia? Tudo isso hoje é visto na própria casa, tv aberta, internet, tanto, mas tanto, que aquele impacto que a história teve naquele tempo não seria mais o mesmo! O que, sem dúvida, é uma pena, e faz com que você, fã do filme original, se decepcione. Não é que o filme é ruim. Só não é a mesma sensação.

"Esta imagem está aqui apenas para dar um contraponto visual na história. Ok?"


O novo filme é, sim, bom. Muito, aliás, se compararmos com outras películas de ação que têm se propagado pela mídia afora. Até mesmo pontos onde mais facilmente uma história recontada se perde ganhou um sabor todo especial na nova versão. Por exemplo, sua origem recontada? É SENSACIONAL! Ali está um bom motivo para o cimeriano ser quem é! Certo, a roda do Conan sempre vai fazer parte de nossa história de vida, mas é meio forçado acreditar que o cara se tornou o megamaster da espada e do combate passando de empurrar uma roda para um curso rápido de luta, e fim de papo!

"Onde está a Pamela Anderson?"


A sinopse do filme é a seguinte: Com a volta do maior e mais lendário bárbaro dos cinemas, agora a busca desse guerreiro começa com uma vingança pessoal depois que monstros destruíram a sua vila e ainda matou seu pai. Mas ao longo da história, esse simples motivo que o fez lutar, se transforma em uma guerra contra os monstros, hukking e outros rivais. E ele será o único capaz de salvar a população de Hyboria contra uma invasão sobrenatural.

Se o que veio a sua mente foi “Mas eu não vi esta história antes” eu vou te dizer meu amigo: Sim, você já viu. Na verdade este é o maior defeito do novo filme.

Justamente por não conseguir criar uma obra que traga algo inovador (algo que infelizmente é compreensível e pouco justo de ser pedido, já que obras do gênero já foram feitas ao rodo, sem dó nem piedade), e por não trazer um ponta de lança que não é do mesmo nível do Arnold (que mesmo que não interprete bem, tem toneladas de carisma a mais que o Momoa.) o filme termina em alguns pontos tendo um quê de “mais do mesmo”, o que não deixa de ser. Por isso não pode, aliás, não DEVE ser comparado com o filme anterior. Enquanto a obra original peca por qualidade técnica (e, em alguns casos, de roteiro também), ela ganha pela originalidade e carisma. Nunca antes havia sido visto algo como aquele filme. O que não acontece com este Conan de 2011, que chega num cinema que já viu magia e fantasia largamente no O Senhor Dos Anéis, Harry Potter, e tantos e tantos outros filmes. Isso sem falar da imagem iconográfica produzida pela obra original, que é elevada a categoria de obra prima do cinema, e realmente o é (embora não deva, sob circunstância nenhuma, ser vista novamente.)

Outro ponto negativo está no roteiro do filme, dividido por três pessoas, e que sofre com isso. Sabe, algumas cenas realmente incomodam, principalmente quando o filme tenta dar uma “forçada” no lado sentimental do Bárbaro, o que não caiu bem. E uma puxada de orelha para o diretor, que insistiu nessa de grito de vingança “NOOOOOOOO”, o que já causa estranheza na primeira vez que ocorre, e na segunda te deixa nervoso. Algumas inconsistências atrapalham o negócio todo, mas, enfim, filme de ação, né? Dá pra ver muito bem, é só relevar esses probleminhas com esse monstro do roteiro, que por ter três cabeças deixou a coisa um tanto mais complicada..

"Eu sabia que devia ter continuado como guarda-vidas em malibú!"


Portanto, se você está indo para o cinema para aproveitar, assistir um bom filme, se divertir com uma obra de ação que há algum tempo não aparecia no cinema, aconselho você a abandonar seus preconceitos, abrir sua mente, e em vez de ir ver um “remake do Conan” ir ver um filme legal de cinema (que por acaso é um bom filme do Conan!). Claro, se quer ir só pra meter o pau, então você é um espírito de porco, boa festa, mas vai perder diversão de primeira. Portanto, vá ver o filme, que é bom, e não a querer ter uma experiência indescritível no cinema.

Ademais, só uns troféus joínhas para o Ron Pearlman (putz, o cara É O PAI DO CONAN!) e para o guri que interpreta o jovem Conan, que colocou pra f****, e fez uma cena impar no tempo que teve.

Então corra, e vá matar alguns malditos Pictos!



P.s.: Ahn, uma boa sugestão: NÃO façam questão de assistir em 3D. Não vale tanto a pena. Ok?

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