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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

50 Tons de Cinza, Salas lotadas e Expectativa.


            Por um acaso do destino, este quem vos escreve teve a oportunidade de assistir a pré-estreia de um que deve ser o mais comentado dos filmes do ano. Sim, eu Paulo Teixeira, de 00:01 no dia 12/02/15 nas salas de cinema para ver a adaptação cinematográfica do famigerado 50 Tons de Cinza. Filas enormes para salas de lugar marcado, filas enormes para comprar o refri e a pipoca – confesso, dessa eu desisti – e filas enormes barra o banheiro de 2 h da manhã, Pois poucos foram os que conseguiram se levantar de suas poltronas. Eis o lado bom de não tomar tanto refri: Me safei dessa também. E no fim, depois de tanta fila, expectativa e gritos de delírio ao senhor Gray, sobrevivi a aventura. E trouxe as minhas impressões comigo:
            EM PRIMEIRO lugar é necessário deixar bem claro alguns parâmetros aqui: 1) Eu não li o livro. Minhas impressões serão todas baseadas no filme e no que ouvi aqui e ali da história. Então não esperem o tradicional “O livro é melhor” porque eu não faço idéia. 2) Minha expectativa do filme era: Nenhuma. Por diversas razões, não sou o público consumidor da obra, mas do que ouvi da história, nada me cativou. Portanto, leve isso em consideração. 3) A plateia influenciou a experiência de ver o filme. Para melhor ou para pior? Vamos ver.






FICHA TÉCNICA


Gênero: Drama
Direção: Sam Taylor-Johnson
Roteiro: E.L. James, Kelly Marcel
Elenco: Andrew Airlie, Ann Wu-Lai Parry, Anna Louise Sargeant, Anne Marie DeLuise, Anthony Konechny, Brent McLaren, Callum Keith Rennie, Chad Fortin, Dakota Johnson (Steele), Dylan Neal, Eloise Mumford, Emily Fonda, Jamie Dornan (Gray), Jason Cermak, Jason Verner, Jennifer Ehle, Jo Wilson, John Specogna, Jordan Gardiner, Julia Dominczak, Kirt Purdy, Luke Grimes, Marcia Gay Harden, Matthew Hoglie, Max Martini, Megan Danso, Peter Dwerryhouse, Rachel Skarsten, Raj Lal, Reese Alexander, Rita Ora, Steven Cree Molison, Tom Butler, Victor Rasuk

      50 TONS DE CINZA trata sobre relações humanas. Sobre expectativas e interações sentimentais. Mas, acima de tudo, fala sobre sexo. E, sadomasoquismo.
    
            Justamente por isso seu início foi tão interessante.
            Na boa, eu não sei o que poderia ter esperado, mas o início do filme e da história foi bem o que eu não esperaria: Leve. Divertido. Isso, por si só, foi uma quebra gostosa no padrão de filmes que tratam sobre sexo. As piadinhas do público (um pessoal que se fosse um pouquinho mais próximo, juro, formariam uma seita), a expectativa pelo que esperava a personagem, tudo isso fez parte da brincadeira e da experiência da cena. O filme em nenhum momento tentou passar uma imagem pudica. A tensão sexual subia a cada interação do casal principal (Dakota Johnson e Jamie Doman, que interagem muito bem em cena), especialmente as expressões da Senhorita Anastacia Steele, cunhadas num desejo que se demonstravam no ápice ao morder seus lábios. A trilha sonora agradava. A construção da trama se desenrolava bem. O filme conquistava.


          Mas aí, no meio disso tudo vem a história.
         Desde sempre ouvi duas formas básicas de denominação de 50 tons. A primeira, era sobre um livro de cunho libertário, que discutia a sexualidade da mulher e sua liberdade de escolha sobre seu corpo e desejos. Uma coisa quase pautada num principio do feminismo onde todos tem o direito de ter seu prazer o quanto quiser, da forma que quiser, independente do que pense a sociedade ou indivíduos. Uma história sobre a entrega de alguém a sua própria satisfação, e sobre um amor diferente dos livros, nada piegas, sobre pessoas reais interagindo num mundo novo e diferente.
            Mas na real? É só um conto de fadas moderno.
            Longe de mim atestar alta ou baixa qualidade nisso. É só uma forma de escrever uma história. E é sobre o que lemos. Temos nossa gata borralheira. Nosso príncipe encantado. O reino, a fada madrinha, a carruagem e até mesmo os ratinhos – estes seriam os guarda costas gigantescos de Gray. E temos em alto e bom som (agora é cinema, né): Escolhi esperar por você. Escolhi esperar meu príncipe encantado.

            Lógico, existe espaço para uma centena de interpretações, muita gente pode discordar de mim, mas o conceito de construção do sentimento dos dois personagens tem a profundidade de uma colher de sopa. Não é um casal real, que se conheceu, desenvolveu uma relação onde os sentimentos foram maturando em conjunto e etc. Foi simplesmente do nada, por nada, para nada. Imagine assim: Temos o personagem principal. Ele pode ter praticamente QUALQUER mulher que ele quiser. Certo, ele curte umas paradas diferentes, mais “brutas”. Ainda assim, a realidade é que existem um sem numero de mulheres lindas, inteligentes, charmosas e que, adivinha só, curtem as mesmas paradas que ele. Inclusive algumas provavelmente estavam na sala do cinema, vendo o filme. Praticamente era só olhar na telelista. A outra era uma menina, virgem, mas inspirando sexualidade (ou pelo menos foi o que o filme tentou passar). Ela faz uma entrevista as pressas com um ricaço misterioso e bonitão para sua formatura. E no meio dessa meia entrevista, que dura cerca de 10 minutos, ela gama nele. E ele, nela.
            Vamos aos fatos: Tenta-se passar a imagem de uma mulher que não se cuida muito, mas bonita. Check. Que é inteligente e chama a atenção. Nem tão check assim, mas dá pra dar um desconto. Ela ao menos é espirituosa. Que consegue enfeitiçar o cara ao... não sei... perguntar se ele estava bem mesmo?
            Bem. Não convence.
            E a forma de cortejo dele é... Bem... No mínimo peculiar. Tipo. Ele começa a dar presentes. Entenda presentes como no mínimo, cada um deles, algo no valor do seu salário. De dois ou três meses.
Pois é.

Eu entendo como isso pode incomodar a parcela masculina que pode ler o livro. E porque este não é, de maneira nenhuma, o público que o livro e o filme procura. Mas se desatendo dos fatos de gênero ou não, o fato é que não existe nenhum tipo de noção de construção sentimental rolando até aí. Se fosse um filme da Disney, esta seria a hora onde começariam as cantorias de promessas de amor eterno entre os dois personagens e um objeto fálico ou de cunho sexual seria inserido como easter egg pelos animadores. Só que em vez de cantoria vemos um passeio de helicóptero, um PC novo, e umas três cenas de sexo, uma que diz que a primeira vez não doi – o super poder do príncipe – e outras com uma ou outra referência a um sexo mais pesado, uns dois tapas e uns pentelhos aparecendo aqui e alí.
Pode parecer que eu estou dizendo neste momento que o filme é ruim. Não, não é. Continua agradável, excitante, mas não terrivelmente explicito. Acho que vi mais seios na Praça é Nossa (eu não assisto zorra total) que no filme inteiro. Mas verdade seja dita: A história não me chamou tanto a atenção. Mas justamente pela característica do audiovisual, deve funcionar melhor em filme que em livro. O filme é um prato cheio para os olhos. A direção de fotografia fez um trabalho interessante em suas paletas de cores, o cinza predomina em cena – a exceção de um momento – e nunca é gratuito.  A nudez do filme é linda. Infelizmente para as mulheres, a de Steele ainda é a mais explorada (nada de piu piu do Gray em cena, mas tem umas ceninhas de bunda que fizeram sucesso) e o recurso de cenas no espelho é amplamente utilizada.

E o fim, o desenrolar da tensão, torna a história ligeiramente mais interessante. Saimos um pouco da redoma ao sermos apresentados a um final não feliz, pelo menos do primeiro filme. Mas pudera. É um único livro que de tão grande, pode ser dividido em três. Temos espaço para bem mais história. Uma trilogia que teve seu começo bem marcado. Não é um filme de outro mundo. Não é uma história de outro mundo. Mas 50 Tons de Cinza cumpre seu papel: É instigante. Para quem foi como eu, sem expectativa alguma, deixa um leve interesse do que acontece a seguir – vou assistir ao próximo filme, embora só veja na pré-estreia caso aconteça por acaso, como foi desta vez. Para os fãs, imagino que a vontade de mais seja dominante: Muitos disseram que o filme foi bem mais leve do que o primeiro livro. Para os haters, não apresenta nada de novo. Continua com a mesma fraqueza na história. Mas pelo menos é bem bonito de se ver.
No fim, é isso: Todo o contrato de BDSM tem que passar por um período de apresentação. O filme cumpre seu papei. Floreia bonito uma história contada mil vezes, repetida de maneira diferente. Agora resta a você assinar ou não. Afinal, tudo que acontecerá aqui tem de ser Seguro, saudável a todos os interessados, e principalmente:
Consentido.

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